CUTUCADA: Investimento de R$ 36 milhões coloca em xeque ponte do Governo do Acre que desabou em Sena Madureira

 

Acidente deixou quatro feridos, sendo um em estado gravíssimo; nota oficial transfere responsabilidade técnica da obra para a empresa contratada.

O desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari, que liga o 1º ao 2º Distrito de Sena Madureira e atravessa o Rio Iaco, no Acre, levanta questionamentos sobre a obra, inaugurada há apenas três anos pelo governo estadual, durante a gestão de Gladson Cameli (PP). Construída com investimento de aproximadamente R$ 36 milhões, a estrutura desabou completamente no final da tarde de sexta-feira (5), provocando momentos de pânico e transtornos à população.

 

A ponte já estava interditada pelo Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária do Acre (Deracre) devido aos riscos identificados em sua estrutura. Mesmo assim, o colapso ocorreu de forma repentina, em questão de segundos, causando um verdadeiro caos no município acreano.

Segundo informações divulgadas pelo governo do Acre, quatro pessoas ficaram feridas no acidente. Neste sábado (6), as vítimas foram transferidas para unidades de saúde em Rio Branco devido à gravidade dos ferimentos.

Boletim médico divulgado pela Agência de Notícias do Acre informa que uma das vítimas permanece em estado gravíssimo. O juiz aposentado Edinaldo Muniz dos Santos, de 54 anos, segue internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Pronto-Socorro de Rio Branco. Ele está em pós-operatório de uma cirurgia para correção de fratura pélvica, além de apresentar traumatismo cranioencefálico grave. O paciente permanece sob ventilação mecânica e monitoramento contínuo da equipe multiprofissional.

Já Ednei Muniz dos Santos, de 51 anos, apresenta quadro clínico estável. Internado no Pronto-Socorro de Rio Branco, ele sofreu fratura no antebraço e aguarda procedimento cirúrgico. Antônio Morais Lima Filho, de 36 anos, também está estável e segue internado após sofrer fratura de fêmur, com cirurgia programada pela equipe médica.

A quarta vítima do desabamento, Weverton Murieta, de 34 anos, recebeu alta hospitalar neste sábado (6) após passar por avaliação médica, realização de exames e tratamento dos ferimentos. Segundo o boletim médico, seu quadro clínico é considerado estável.

Dhárcules Pinheiro -Agência de Notícias

Em entrevista, Murieta relatou que estava na ponte no momento do acidente após ser abordado pelo juiz aposentado Edinaldo Muniz e pelo advogado Ednei Muniz dos Santos. Segundo ele, ambos pediram que mostrasse o local onde havia sido identificada uma fissura na estrutura. Foi justamente durante a vistoria informal que a ponte desabou.

Weverton é o homem que aparece em imagens divulgadas sendo cumprimentado pela governadora do Acre, Maiza Assis. Ao comentar o acidente, ela lamentou o ocorrido e afirmou que a empresa responsável pela construção da ponte deverá ser responsabilizada. Segundo a gestora, a estrutura ainda se encontra dentro do período legal de garantia da obra.

O episódio reacende o debate sobre a qualidade das obras públicas, os processos de fiscalização e a responsabilidade pela manutenção de estruturas de grande porte entregues recentemente à população. As causas do desabamento deverão ser apuradas pelas autoridades competentes.

Ainda neste sábado, o governo do Acre emitiu uma nota oficial, por meio do Deracre, na qual atribui a responsabilidade técnica da obra à empresa contratada para sua elaboração e execução. O documento afirma que “o projeto técnico, assim como todas as análises que envolvem a construção, ficou por conta da empresa, sem participação do Deracre ou do Governo do Estado na concepção e execução do projeto”. A nota também informa que o recebimento definitivo da obra ocorreu em 19 de janeiro de 2024.

Em outro trecho, o órgão ressalta que a empresa continua responsável por eventuais problemas relacionados à estrutura. “Nos termos do artigo 618 do Código Civil, o empreiteiro responde por cinco anos pela solidez e segurança da obra, o que mantém a empresa dentro do prazo legal de garantia e sujeita às responsabilidades dele decorrentes, inclusive à reparação de todo e qualquer dano dela resultante”, destaca o texto.

No documento, a instituição também aponta, de forma preliminar, a possibilidade de que o acidente tenha relação com fenômenos típicos da região amazônica, como as chamadas “terras caídas”, processo de erosão das margens dos rios.

Apesar disso, a própria nota ressalta a experiência da construtora na execução de obras desse porte na Amazônia. “A empresa tem vasta experiência em construção de pontes na região amazônica, sendo, portanto, esperado que seus projetos contemplem soluções para o fenômeno das terras caídas, de forma a garantir a segurança da obra”, afirma.

A nota divulgada neste sábado é assinada conjuntamente pelo Governo do Estado do Acre, pelo Deracre e pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE).

FONTE: NEWS RONDÔNIA

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